quinta-feira, julho 4

Um dia de verão

Um daqueles dias de Verão em que procuramos qualquer cantinho para nos abrigarmos do calor. Estes dias são bons, mas cansam… O ar pesado, a brisa que teima em não aparecer, a moleza que se apodera do corpo e os olhos que teimam em fechar! 
O corpo suado grita pelo frio… Despimos a roupa e os preconceitos…
Sentado na esplanada levanta os olhos por cima do Jornal e vê-a pela primeira vez. Ela está com duas amigas e o riso e a luz que vem daquela mesa atraí-o.
Ficou especado a observar, alheado de tudo à volta, apenas a olhar para ela… estava deslumbrado pelo sorriso daqueles lábios, pelos olhos brilhantes e pela energia que aquela mulher emanava. Sentia-se rendido… Não pelos seus cabelos castanhos encaracolados ou pelo seu vestido rosa de modelo romântico que assentava que nem uma luva ou a gargalhada alegre.
Estava deslumbrado pelo que via além.
Ela parou de falar… Sentiu-se observada e procurou os olhos dele.  Ele ficou sem saber o que fazer, ficou desprotegido mas deixou-se estar e sorriu. Ela sorriu de volta.
Naqueles segundos seguintes, as suas almas sorriram em conjunto e ambos ficaram convencidos que já se conheciam.
Não nesta vida, mas noutra vida… E ali estavam, talvez para se verem naquela esplanada, talvez  para saberem que estão cá outra vez, talvez para resolverem outras questões até conseguirem estar os dois juntos para a eternidade.
Sim, para a eternidade…
A sensação de calma e paz transbordou em ambos. As suas almas sabiam que se iam encontrar outra vez para viverem aquele amor incondicional… aquele amor em que damos tudo e recebemos tudo também, aquele amor em que se constrói e que é alimentado apenas pelo amor.
Sim, porque nós vivemos para amar… 
Eu sei que estou nesta vida para amar…