Um daqueles dias de Verão em que procuramos qualquer
cantinho para nos abrigarmos do calor. Estes dias são bons, mas cansam… O ar
pesado, a brisa que teima em não aparecer, a moleza que se apodera do corpo e
os olhos que teimam em fechar!
O corpo suado grita pelo frio… Despimos a roupa e os
preconceitos…
Sentado na esplanada levanta os olhos por
cima do Jornal e vê-a pela primeira vez. Ela está com duas amigas e o riso e a
luz que vem daquela mesa atraí-o.
Ficou especado a observar, alheado de tudo à volta, apenas a
olhar para ela… estava deslumbrado pelo sorriso daqueles lábios, pelos olhos brilhantes
e pela energia que aquela mulher emanava. Sentia-se rendido… Não pelos seus
cabelos castanhos encaracolados ou pelo seu vestido rosa de modelo romântico que
assentava que nem uma luva ou a gargalhada alegre.
Estava deslumbrado pelo que via além.
Ela parou de falar… Sentiu-se observada e procurou os olhos
dele. Ele ficou sem saber o que fazer,
ficou desprotegido mas deixou-se estar e sorriu. Ela sorriu de volta.
Naqueles segundos seguintes, as suas almas sorriram em conjunto e ambos ficaram convencidos que já se conheciam.
Naqueles segundos seguintes, as suas almas sorriram em conjunto e ambos ficaram convencidos que já se conheciam.
Não nesta vida, mas noutra vida… E ali estavam,
talvez para se verem naquela esplanada, talvez para saberem que
estão cá outra vez, talvez para resolverem outras questões até conseguirem
estar os dois juntos para a eternidade.
Sim, para a eternidade…
A sensação de calma e paz transbordou em ambos. As suas
almas sabiam que se iam encontrar outra vez para viverem aquele amor incondicional… aquele amor em que
damos tudo e recebemos tudo também, aquele amor em que se constrói e que é
alimentado apenas pelo amor.
Sim, porque nós vivemos para amar…
Eu sei que estou nesta vida para
amar…
